HORA DE ASSUMIR UM NOVO PAPEL

Real Moto Peças mostra como realizar, sem traumas, a transição de comando dos fundadores para a segunda geração.



Fundada em 1962, em Uberlândia (MG), a Real Moto Peças é um grupo atacadista de distribuição, representando as principais indústrias de peças e acessórios do mercado automotivo. Em 58 anos de história, a companhia expandiu suas atividades em 15 subsidiárias em 11 estados brasileiros.

O crescimento não se deu somente no volume de vendas da empresa, mas também em sua estrutura organizacional, o que teve reflexos claros no processo de sucessão vivido pela empresa. Como a expansão, também este vem sendo planejado e realizado com cuidado.

Otayde Junior, filho de um dos fundadores e que esta à frente do processo de transição, lembra que ele começou ainda em 2003. Naquela época os dois fundadores da Real Moto Peças atuavam fortemente no negócio, mas já demonstravam preocupação com a sua continuidade. “Iniciamos o entendimento do processo e de sua importância para a continuidade do negócio”, lembra Otayde.

Naquele primeiro momento, os fundadores e seus herdeiros tiveram a oportunidade de conhecer a relevância de separar questões familiares dos desafios dos negócios e iniciar a discussão sobre sucessão e continuidade. Um dos principais pontos definidos naquele momento foi o estabelecimento de regras e limites para o processo de transição, que ajudaram a separar empresa e família.

De acordo com o executivo, eram normas bastante simples que definiam de modo claro as normas para ser e se manter sócio da empresa. Otayde afirma que tudo isso foi colocado no papel, assim como os procedimentos para a entrada dos herdeiros da segunda e terceira gerações. “Muitos tinham a expectativa de que, formados, entrariam automaticamente na companhia. Estabelecemos regras e ficou claro o papel da próxima geração”, lembra.

O processo de discussão seguiu até 2005, quando foi paralisado por conta do crescimento da companhia. Ali era importante dar atenção à expansão e à organização da empresa. Cinco anos depois o processo de transição de gerações foi retomado. “Este tempo foi importante, porque ajudou os fundadores a amadurecerem a ideia e a avaliar a sucessão com mais foco”, explica Otayde Junior, lembrando que a segunda etapa foi retomada no momento em que a Real Moto Peças estava com uma estrutura de mais gestão consolidada.

Segunda fase

A segunda fase do processo, iniciada em 2010, passou a contar com a participação de todos os membros da segunda geração. Os fundadores abriram um canal de comunicação com todos os herdeiros, mesmo os que não estavam envolvidos na gestão. Otayde Junior ressalta que este segundo momento começou com a revisão do termo de compromisso assinado em 2005 e com a definição da estruturação do conselho de administração.

A família definiu como seria a estrutura do conselho de administração. Este trabalho foi realizado por um comitê formado por sete membros da segunda geração: quatro gestores (dois de cada lado da família) e três não gestores. O grupo tem reuniões periódicas com os dois fundadores para estabelecer os próximos passos.

Para dar força e legitimidade ao conselho de administração, ficou definido que ele seria formado também por sete pessoas: dois membros de cada família (um gestor e um fundador) e três membros independentes, que deverão ter voz atuante.

A realização de todo o processo contou com o apoio irrestrito dos fundadores. Eles se mostraram receptivos às mudanças. Obviamente isso não acontece sem questionamentos, que são vitais para que o processo ocorra sem dúvidas de nenhum das partes. “É uma situação que está bem amadurecida. Em muitos casos eles já direcionam temas para os gestores da segunda geração”, revela.

Com o processo em curso, a expectativa da Real Moto Peças é abrir o caminho para a terceira geração e deixar claro para as próximas a preocupação de todos com a perpetuação da empresa. Lembra que este caminho inclui estágio por tempo determinado, experiência externa e a passagem por um processo de seleção no retorno à empresa.

Essa certeza envolve não apenas os herdeiros, mas também funcionários e fornecedores. Parte do processo incluiu reuniões com as lideranças da companhia e também com fornecedores. Em ambos os casos, as reações foram bastante positivas. “Ouvimos que somos uma das poucas empresas de nosso setor preocupada com isso. Sentimos que estamos caminhando para a perpetuação da companhia”, conclui Otayde Junior.

Conselho

Como a Real Moto Peças definiu a formação de seu conselho de administração e a sociedade entre dois irmãos fundadores:

7 membros

2 (um gestor e um fundador) de cada núcleo familiar

3 membros independentes

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