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ESSA HISTÓRIA LHE É FAMILIAR?

Registrar a trajetória da família empresária, desde a origem, ajuda a preservar o legado e criar a ponte para o futuro

Qualquer família empresária comprometida com a continuidade se preocupa com a construção do futuro. E uma forma de seguir em frente é conhecer o passado. Não com um olhar nostálgico ou saudosista, mas com a intenção de preservar a história e perpetuar o legado iniciado com os fundadores. “Isso é muito importante para a família empresária, na perspectiva da continuidade. Além dos planos estratégicos, das estruturas, dos protocolos e de tudo que precisa ser feito em termos de formação, um dos pilares de sustentação é o resgate da história, dos valores”, explica Renata Bernhoeft, sócia da höft. A consultoria firmou uma parceria com a ZOZI, empresa especializada em comunicação para esse serviço, que visa a contribuir para a preservação da história das famílias empresárias. De acordo com o consultor Renato Bernhoeft, esse trabalho contempla dois aspectos importantes. O primeiro é de aproximar as gerações: “É muito comum que na geração dos netos já haja um distanciamento da figura do fundador e, muitas vezes, eles não têm ideia de quais foram os desafios enfrentados”. O segundo aspecto é transferência do legado. “Uma coisa é o patrimônio, a questão material, mas junto vem todo o conjunto de princípios e valores, o legado, o que está por trás dessa obra que foi construída”, observa. O primeiro passo, explica Renata, é a montagem do acervo. “A gente incentiva a família a juntar o máximo de material possível, em que tempo for. Obviamente, que é melhor quando as pessoas que viveram aquela história estão presentes. Mas nunca é tarde para fazê-lo”, comenta. A constituição desse acervo pode abranger desde fotos, cartas e documentos, até objetos emblemáticos do começo da história. “O contrato de origem da empresa, a primeira ferramenta, a primeira máquina, tudo isso enriquece a narrativa”, diz. E recomenda que pessoas importantes na trajetória da empresa (familiares ou não) sejam entrevistadas e façam parte desse resgate, mostrando vários pontos de vista e a vivência de valores no decorrer da história. Uma vez montado o acervo, as formas de utilizá-lo podem ser variadas, a depender do objetivo da família. “Pode virar um livro, um vídeo, um museu, uma exposição”, diz Renata. Ela ressalta que a escolha do produto final depende da ação de comunicação que se queira implementar e do público, podendo contemplar diferentes formatos. Afinal, a história da família empresária pode ser também destinada aos funcionários, como forma de fortalecer a cultura organizacional. “Já houve um caso de uma entrevista com um fundador gerar um vídeo, do qual uma parte foi para a memória da família e outra foi utilizada como peça institucional. Nós ajudamos a família a pensar nessa estratégia”, explica a consultora. Na perspectiva da família, ouvir narrativas é um modo eficaz de perpetuar a história. Renato Bernhoeft conta que já realizou experiências reunindo três gerações, com resultados impactantes. “Juntávamos o fundador ou o fundador e a esposa para contar a história para os netos e depois havia uma rodada de perguntas. Era muito interessante, porque o neto faz pergunta que geralmente o filho não faz. E, ao contar sua história para terceira geração, o fundador conseguia olhar para a frente. Esses encontros eram muito emocionantes”, diz. Além da interação e da função educativa, essas narrativas podem ter uma função pacificadora, segundo Renata. “Quando a família busca a narrativa, é inevitável que entre em contato com valores, com histórias que ficaram marcadas. Esse contexto propicia entender a contribuição de cada um, é um caminho de reconhecimento. Às vezes isso é difícil dentro da família. A história que é capaz de unificar, é capaz de pacificar”, considera. Ela destaca que, ao recontar suas histórias, a família reforça os aprendizados, que vão sendo repassados e multiplicados. “Trata-se de transmitir o legado daquilo que importa. ‘O que importa para nós?’, ‘Que histórias marcaram a nossa família e servem de exemplos?’. Se o avô, numa situação reagiu de uma determinada forma, isso significa que é um traço da personalidade da família. A repetição das histórias vai criando uma cultura daquilo que se quer preservar”, diz Renata.


Uma história, vários produtos

A montagem do acervo contribui de forma efetiva para que a história de uma família empresária seja contada. Mas a maneira como essa história pode ser contada é múltipla e variada. Um mesmo material pode virar uma peça de memória familiar, pode tornar-se um conteúdo que reforce o senso de pertencimento do público interno ou pode ainda resultar num produto editorial distribuído aos stakeholders. “O acervo pode ser explorado de várias formas, inclusive com o uso de realidade virtual, que permite uma interação de gerações que não vão conseguir conversar pessoalmente com o fundador, num ambiente de imersão. Ou fazer um vídeo com as crianças para elas se verem quando adultas e estiverem participando da vida da empresa”, explica Klaus Bernhoeft, sócio da ZOZI, empresa de comunicação parceira da höft nesse serviço de preservação da história da família empresária. Para isso, a parceria aposta em alguns diferenciais. Um deles é não restringir a narrativa ao aspecto meramente corporativo. “Existe muito no mercado o enfoque exclusivamente empresarial, mas a gente quer enfatizar também aquelas histórias da vovó, das tias, mostrar o que a história familiar aporta de valor”, explica Renata Bernhoeft. Ou a história da transformação do patrimônio: “Relatos da origem, quando só havia uma máquina ou da empresa que começou num quartinho alugado. Essa origem patrimonial dá a dimensão do esforço dos fundadores”, acrescenta. Apesar da variedade de mídias que podem ser colocadas a serviço da memória, quando se trata de registrar a história, Klaus avalia que o livro é a plataforma que melhor cumpre essa função. “Sou entusiasta das novas tecnologias e dos novos formatos, mas o modelo clássico de livro ainda é a melhor forma de preservação da história. É palpável e dá para guardar em lugar acessível. As plataformas digitais têm de ser utilizadas em todo o seu potencial, mas quando se trata de registro, o livro é uma garantia de que aquele conteúdo estará, de fato, preservado”, analisa. Outro aspecto defendido pela parceria é que as histórias sejam narradas da maneira mais atrativa possível, seja em que mídia for. “O registro é necessário, mas o produto precisa ser interessante, seja para a família, para o funcionário ou para o público em geral. É fundamental que a narrativa seja bem construída. No caso do livro, por exemplo, a linha editorial precisa ser muito bem pensada, não pode ser simplesmente uma sucessão de fatos compilados. É preciso contar a história com os elementos de linguagem, escrita ou audiovisual, que tornem a narrativa cativante”, observa Klaus. •

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