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A ESTABILIDADE ESTÁ SE TORNANDO UMA BUSCA ULTRAPASSADA

por Renato Bernhoeft

Embora possa parecer redundante enfatizar que o mundo atual está cada dia mais impactado pela velocidade das mudanças, alterações essas que tem desencadeado fortes impactos em nosso modo de viver, nos comunicar e também nos relacionamentos, vale registrar que boa parte destes efeitos exige transformações do nosso modo de SER.

Um exemplo digno de registro é a enfática tentativa de conquistar a “estabilidade”, como um dos valores típicos que caracterizou o comportamento humano ao longo dos séculos XIX e XX. E esta busca, além de constante, acontecia nas mais variadas dimensões da vida, tanto pessoal como profissional.

Como exemplo, podemos listar alguns, sem a pretensão de esgotar o assunto:

- Valorização excessiva da experiência passada/ Dificuldade em lidar com inovações/ Busca do emprego, especialmente nas grandes corporações, para “a vida toda”/ Participar de concursos no setor público e as estatais com a promessa da falsa estabilidade / Valorização da educação formal em detrimento do processo permanente de autodesenvolvimento/ Acomodação com relacionamentos familiares – supostamente estáveis - que não estavam atentos às exigências de renovação, provocadas pelas diferentes etapas de vida, tanto no conjunto como das individualidades / carreiras que pareciam estáveis e eram ainda recomendadas pelos pais aos seus filhos/ compreensão das exigências de reinvenção nos diferentes papéis que caracterizam nossa existência - profissional efetivo e paralelo; conjugal; familiar; social; educacional; espiritual e individual; etc. – como exemplos.

É evidente que todos estes impactos são ainda mais ameaçadores na medida em que aumenta a longevidade do ser humano e sua eventual dificuldade para se reinventar em suas distintas etapas de vida.

Segundo o reconhecido autor Yuval Noah Harari, em seu mais recente livro “21 lições para o século XXI”, - Cia. Das Letras – “Quanto mais duro para um indivíduo que trabalhou, e se esforçou, para construir alguma coisa, mais difícil é deixá-la ir embora e abrir espaço para algo novo. Você poderia até mesmo apreciar novas experiências e pequenos ajustes, mas a maioria das pessoas aos cinquenta anos não está disposta a rever estruturas profundas da sua identidade e personalidade”.

E prossegue, de forma ainda mais contundente dizendo:

“Mas no século XXI dificilmente você pode se permitir ter estabilidade. Se tentar se agarrar a alguma identidade, algum emprego ou alguma visão de mundo estáveis, estará se arriscando a ser deixado para trás quando o mundo passar voando por você. Como a expectativa de vida está aumentando, você poderia ter de passar muitas décadas como um fóssil. Para continuar a ser relevante – não só economicamente, mas acima de tudo socialmente – você vai precisar aprender a se reinventar o tempo inteiro, numa idade tão jovem como a dos cinquenta anos”.

E conclui afirmando que “para sobreviver e progredir num mundo assim, você vai precisar de muita flexibilidade mental e grandes reservas de equilíbrio emocional”.

Enfim, estas são algumas provocações que merecem muita atenção e foco, não apenas dos idosos atuais, mas de forma muito especial daqueles que estão iniciando sua vida ou mesmo na meia-idade.

Fica aqui o convite para incluir este assunto nas conversas com familiares, amigos e colegas de trabalho. E sempre, de preferência, com todos os eletrônicos desligados.

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