A ESTABILIDADE DO CAPITAL FAMILIAR

Por Wagner Teixeira

Em tempos de crise – interna ou externa – é preciso ter cuidado para não se deixar levar e contaminar pelo nervosismo dos mercados de capitais. Os preços das ações variam com os humores do mercado, a suposição de valor ou o potencial de geração de lucro das empresas.

Em momentos assim, o melhor a fazer é voltar a atenção para as lições contidas nas empresas familiares. É ali que se sente o pulso do mercado, medido por resultados concretos, geração de valor e envolvimento. Não é exagero afirmar que estas empresas são hoje pilares de estabilidade, e isso não ocorre por acaso. São companhias formadas pelo que chamamos de ‘capital paciente’.

A ideia é simples: tratam-se de estruturas que não demandam resultados imediatos e podem suportar situações adversas sem a necessidade de satisfazer apenas a necessidade de lucro, mas de criar valor. E é sempre bom lembrar que a diferença entre os dois conceitos é enorme.

Nas empresas familiares – e isso é um alento para a economia – vale a visão de longo prazo, que as faz capazes de insistir em determinados projetos sem jogá-los fora ao primeiro sinal de insucesso. Nelas também conta o comprometimento, não apenas com seu público interno, mas com o externo, com a comunidade em que está inserida. Não são raros os casos de empresas familiares que cresceram junto e compartilharam dificuldades com as cidades onde começaram seus negócios, algumas vezes negociando com os colaboradores, buscando a satisfação das partes e o equilíbrio de longo prazo.

O ponto fundamental para esta visão, e que deveria servir de exemplo para o mercado como um todo, é a perspectiva de longo prazo, que aqui – é sempre bom lembrar – é medida em gerações, não trimestres. Essa visão faz toda a diferença, não apenas para a empresa e sua continuidade, mas para a economia e para a estabilidade do país.

Wagner Teixeira é sócio e diretor-geral da hoft bernhoeft & teixeira

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